segunda-feira, 16 de março de 2009

Conc-CMM – Um modelo para definir a maturidade do concurseiro

Geralmente procuro fazer postagens curtas para que a leitura não fique cansativa, mas dessa vez eu vou "viajar" um pouquinho mais na tentativa de apresentar um esboço de um modelo de nível de maturidade de concurseiro. O objetivo é fornecer uma ferramenta para definir e medir a capacidade de um concurseiro ser aprovado. Nesse caso, portanto, vou abrir uma exceção e fazer uma postagem um pouco mais longa por achar que ela será bastante interessante e até divertida.

Em homenagem ao famoso modelo CMMI (Quem não é da área de informática provavelmente nunca ouviu falar - http://pt.wikipedia.org/wiki/CMMI), vou chamar esse nosso modelo de Conc-CMM. É claro que a intenção não é elaborar nada, nem de perto, tão completo quanto o CMM, mas como foi nos meus estudos de CMMI que eu tive a ideia dessa postagem, acho que vale uma homenagem.

Segue o modelo.

I - Conceitos

  • Matéria

Conjunto de assuntos interrelacionados cobrados em edital de concurso. Por exemplo, direito constitucional, direito administrativo, contabilidade, redes de computadores, português...

  • Nível específico

É o nível de conhecimento em uma matéria específica. O Conc-CMM define 6 níveis específicos. São eles:

Nível específico 0 – Leigo

Você nunca estudou a matéria. Talvez tenha ouvido falar, mas nunca estudou e não conhece nada, ou seja, você não sabe nada sobre o assunto. Nesse nível você não tem a mínima noção da resposta correta ao se deparar com uma questão de concurso.

Nível específico 1 – Iniciante

Você está iniciando os estudos, não conhece muita coisa sobre a matéria, mas já sabe do que se trata e tem alguns conceitos básicos sobre ela. Nesse nível, é muito difícil assimilar assuntos, pois o conhecimento é muito incipiente tornando difícil a inter-relação entre eles e o entendimento completo. É, sem dúvida, a fase mais complicada. Já é possível ter pelo menos uma ideia de como "chutar" uma questão, mas ainda está longe de conseguir fazer uma boa prova.

Nível específico 2 – Básico

Essa é a fase do "decorador". Aqui você já decorou bastante coisa, e sabe muitos conceitos, artigos de lei, fórmulas... na ponta da língua, porém o conhecimento está ainda muito frágil. Qualquer questão que sai um pouco do trivial (do decoreba) já complica. As dissertações, que raríssimas aliás, são muito pobres e superficiais. Em provas realizadas por organizadoras que cobram muito decoreba e cujo edital não exige dissertação, já é possível conseguir um desempenho regular.

Nível específico 3 – Intermediário

Aqui o estudo começa a ficar mais interessante. Os dados decorados no nível 2 vão se tornando conhecimento propriamente dito. Já é possível ter uma visão crítica sobre os assuntos e as inter-relações fluem naturalmente. Você é capaz e responder a questões que exigem raciocínio além do decoreba puro e as dissertações estão melhor embasadas, com a possibilidade de boa nota.

Nível específico 4 – Avançado

O conhecimento já foi consolidado e agora está sendo aprofundado. Detalhes e especificidades que não se conhecia antes são estudados. O índice de acerto nas questões objetivas é altíssimo e as dissertações são bastante completas.

Nível específico 5 – Expert

Há um alto nível de expertise. É possível não só responder questões objetivas e dissertativas como também escrever artigos, ministrar cursos e até mesmo escrever livros. Você é uma referência para quem quer saber algo sobre a matéria.

  • Nível de maturidade

É o nível de maturidade de um concurseiro. Indica a capacidade para aprovação em concurso. Quanto maior esse nível, maior a probabilidade de aprovação. São definidos 5 níveis gerais:

Nível de maturidade 0 – Eliminado

Nesse nível é praticamente impossível conseguir não ser eliminado na nota de corte. Pode ocorrer, com muitíssima sorte, uma classificação, mas ela é muito improvável e, caso aconteça, será numa colocação muito distante.

Nível de maturidade 1 – Classificável

O concurseiro que está nesse nível consegue não ser eliminado na nota de corte em alguns concursos. Classifica-se muito atrás na fila e é bastante improvável que seja convocado algum dia.

Nível de maturidade 2 – Excedente

O concurseiro se classifica numa posição que proporciona a expectativa ser chamado algum dia. Ele fica a longa fila de espera dos excedentes de concurso. É muito difícil ocorrer a classificação dentro das vagas, mas não é impossível; dependendo da sorte, do nível das provas e da concorrência, pode acontecer a aprovação já nesse nível de maturidade.

Nível de maturidade 3 – Competidor

Aqui o concurseiro já faz as provas realmente competindo por uma das vagas. Dificilmente é eliminado na nota de corte, quase sempre fica como excedente e já tem uma boa chance de passar dentro das vagas.

Nível de maturidade 4 – Aprovado

Esse cara já está aprovado; ele concorre pelos primeiros lugares. IMPORTANTE: apesar do nome do nível ser Aprovado , é importante que se entenda que ninguém é "pré-aprovado". É possível, apesar de pouco provável, que esse concurseiro não seja aprovado ou até mesmo seja eliminado na nota de corte.

Nível de maturidade 5 – Superdotado

O superdotado é o concurseiro que sabe quase tudo sobre todas as matérias, que sempre estará entre os primeiros lugares e que nunca será eliminado. Se existe esse cara eu nunca ouvi falar. Quem mais se aproximou disso que eu tive notícia foi Leonardo Da Vinci, que era excepcional em artes, física, anatomia, mecânica... Nem Ainstein poderia ser classificado como um concurseiro superdotado, pois ser expert em um ou dois assuntos não seria o bastante.

II - Aplicação

Vistos esses conceitos, posso citar o objetivo do Conc-CMM de uma forma mais específica: o objetivo do modelo é medir em qual nível de maturidade um concurseiro está para um determinado concurso. Observe que a medição vale para um concurseiro num concurso em particular, ou seja, um mesmo concurseiro poderá estar no nível Excedente num concurso e estar no nível Competidor em outro.

Vamos então vê o passo-a-passo de como obter seu nível de maturidade em um determinado concurso:

  1. Listar todas as matérias do edital do concurso;
  2. Para cada uma das matérias, julgar em qual nível específico você se enquadra;
  3. Multiplicar o peso pelo nível específico definido para cada matéria, encontrando a contribuição de cada matéria no cálculo da média;
  4. Obter a média ponderada dividindo a soma das contribuições pela soma dos pesos;
  5. Arredondar a média encontrada.

Calma! Não é tão complicado quanto você está achando. Para ficar mais fácil de entender, vou fazer um exemplo. Suponhamos que haja um concurso com as dez matérias abaixo e que para cada uma você chegou aos níveis específicos listados:

Nível Específico

PORTUGUÊS

3

DIREITO CONSTITUCIONAL

3

DIREITO ADMINISTRATIVO

3

DIREITO PENAL

2

DIREITO PROCESSUAL PENAL

2

DIREITO CIVIL

2

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

2

DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS

1

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

1

DIREITO DO CONSUMIDOR

1


Aplicando os pesos a cada nível, você obterá a contribuição de cada matéria na média final:

Nível Específico

Peso

Contribuição

PORTUGUÊS

3

1

3

DIREITO CONSTITUCIONAL

3

1

3

DIREITO ADMINISTRATIVO

3

1

3

DIREITO PENAL

2

1

2

DIREITO PROCESSUAL PENAL

2

1

2

DIREITO CIVIL

2

2

4

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

2

3

6

DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS

1

4

4

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

1

4

4

DIREITO DO CONSUMIDOR

1

4

4


Agora obtenha a média ponderada dividindo a soma das contribuições pela soma dos pesos e arredonde o resultado:

Nível Específico

Peso

Contribuição

PORTUGUÊS

3

1

3

DIREITO CONSTITUCIONAL

3

1

3

DIREITO ADMINISTRATIVO

3

1

3

DIREITO PENAL

2

1

2

DIREITO PROCESSUAL PENAL

2

1

2

DIREITO CIVIL

2

2

4

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

2

3

6

DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS

1

4

4

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

1

4

4

DIREITO DO CONSUMIDOR

1

4

4

Soma

22

35

Média

32/22=

1,590909091

Arredondando

2


Pronto! Chegamos ao Nível de maturidade 2, excedente . Esse mesmo resultado pode ser ilustrado graficamente por um gráfico que chamarei de "gráfico de distribuição do conhecimento":


É importante observar que mesmo não sendo nem ao menos avançado em nenhuma matéria, você já conseguiria se classificar como excedente. Na verdade, ser um grande expert em algumas poucas matérias não implica necessariamente ter um nível de maturidade alto. Para ilustrar melhor algumas conclusões importantes como essa, vamos analisar alguns gráficos de distribuição do conhecimento. Primeiro vamos vê o super especialista, o cara que sabe tudo de pouco:

Observe que mesmo sendo expert em 5 matérias, o super especialista está apenas no nível de maturidade 1, já que ele é leigo em outras 5 matérias. Porém, para chegar a ser expert em 50% das matérias ele gastou muita energia, pois ser um expert em alguma área requer estudos aprofundados e domínio total.

Por outro lado, vamos analisar o gráfico do super generalista, o cara que sabe um pouquinho de muito:

Nesse caso, com é de se esperar, se o concurseiro tem um nível específico baixo em quase todas as matérias, ele terá um nível de maturidade baixo também. Porém, a energia gasta para chegar a iniciante em 100% das matérias é muito menor do que a gasta para se tornar um expert em poucas matérias.

Portanto, o segredo é primeiro distribuir o conhecimento horizontalmente e, à medida que conseguir alcançar um determinado nível específico em todas as matérias, começar a se aprofundar. Ou seja, devemos construir nosso conhecimento como se constrói um muro: primeiro a base, de baixo para cima, subindo gradativamente. O gráfico abaixo ilustra o processo de construção ideal da distribuição de conhecimento, saindo do nível de maturidade 1 para o nível de maturidade 5:

É isso aí... acho que, apesar de simples, o nosso modelo Conc-CMM pode ser útil como ferramenta auxiliar no planejamento dos estudos. Bons estudos e boa sorte pra todos nós.


PS.: Tenho um planilha pronta para fazer os cálculos. Caso você a deseje, mande um comentário com seu email para que eu a envie.

sábado, 7 de março de 2009

O Dia Nacional da Concurseira

Vou aproveitar o Dia Internacional da Mulher para propor uma especialização dele: o Dia Nacional da Concurseira. Neste 8 de março, portanto, vou dirigir minhas congratulações às mulheres concurseiras por dois motivos: primeiro, e mais óbvio, porque o meu blog fala sobre concurso e concurseiro (a); segundo porque essa turma aí representa fielmente a figura da mulher guerreira. No exato momento em que estou escrevendo esse artigo, minha esposa está estudando numa mesa atrás de mim e é ela a minha musa, ou melhor, a minha concurseira inspiradora nessa redação.

Uma coisa posso declarar com certeza: a concurseira é um tipo muito especial de mulher, falo isso por experiência própria. Elas são antes de tudo perseverantes até o ponto de se tornarem chatas às vezes, pois quando uma mulher quer alguma coisa, meu amigo, nada segura. A disciplina é outra característica forte entre elas. Coragem também está presente. Coragem pra viajar várias horas, ou até dias, pra fazer uma prova; pra viajar sozinha e se hospedar numa espelunca porque a grana tá curta; coragem até pra sair do cursinho às 23:00 sozinha nestas nossas cidades cada vez mais violentas; enfim coragem pra muita coisa que marmanjo não encara. São EMOÇÃO, e quantas emoções! São: ira, estresse, cobrança, choro, carência, carinho, competição, amor, alegria, decepção, tristeza, desânimo, motivação, riso, incerteza, convicção... E os filhos, hein? Quando não os têm, se preocupam com a idade, pois “precisam passar logo pra não ficarem velhas demais para uma gravides tranquila”; quando já os têm, ah Meu Deus!, aí sim essas são heroínas entre as guerreiras (merecem uma postagem especial no dia das mães).

Vocês concurseiras são mulheres maravilhosas, guerreiras legítimas que merece toda minha admiração. Gostaria de parabenizar todas as concurseiras do Brasil, em especial minhas amigas e epecialíssimamente a minha esposa. Feliz Dia Nacional da Concurseira!